"Nenhum livro para crianças deve ser escrito para crianças."



Escrever um livro para crianças é uma viagem. Um regresso à simplicidade e inocência de quem olha para o mundo com o coração. É voltar a percorrer o caminho mágico onde nascem os sonhos e sentir uma alegria contagiante dentro do peito.


Escrever um livro para crianças é conhecer a criança que fomos, um dia. Antes da vida destes dias que correm se tornar complexa e abundante em dores de crescimento. Antes de nos pedirem para trocarmos as mochilas da escola pela bagagem da responsabilidade, e de nos oferecerem um manual de como ser alguém no mundo.


À medida que os anos vão passando, falam-nos da importância de crescer. De distinguir o sonho da realidade, e de tornarmos esta última a nossa verdadeira prioridade. E, assim, vamos guardando tristemente os sonhos de criança na algibeira, para nunca mais olharmos para eles. E quanto aos medos, há que disfarçá-los com coragem. Ou ignorar que eles existem. Vê-los transformarem-se em algo maior e mais subtil, que invade a nossa mente em forma de ansiedade.


Talvez seja por isso que Fernando Pessoa dizia que "nenhum livro para crianças deve ser escrito para crianças". Talvez todos os livros para crianças devessem ser escritos para os adultos que se esqueceram de como é ser criança.


Porque escrever um livro para crianças requer coragem. A coragem de nos esquecermos de quem somos, para (re)conhecermos quem fomos antes da vida acontecer. É redescobrir os medos que tínhamos e entendê-los com uma nova consciência. E é relembrar a luz dos sonhos que, afinal, ainda temos dentro de nós.


É que, quando descobrimos a criança que ainda somos, conseguimos falar a todas as crianças do mundo. E talvez, se os adultos estiverem atentos, ler uma história para crianças pode ser uma bonita maneira de relembrar aquilo que os faz sentir verdadeiramente vivos. E felizes.


Porque, num mundo de pessoas felizes, não há espaço para guerras e maldade.

E, talvez, seja isso mesmo que o mundo precisa.


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