Vantagens e desvantagens de ser autor independente

Depois de falar sobre os diferentes tipos de editoras com que um autor pode trabalhar, venho agora falar sobre um pouco sobre publicar de forma independente e as suas vantagens e desvantagens.


Fotografia por Andreia Carvalho

Um autor independente (também conhecido como autor indie) é um autor que não depende de uma editora para publicar as suas obras. Por sua vez, um livro publicado de forma independente é uma edição de autor.


Ser autor independente é um desafio extremamente enriquecedor. Talvez fale por mim, que gosto de pôr as mãos na massa e fazer as coisas à minha maneira. Contudo, esta forma de edição - como todas - tem as suas vantagens e desvantagens.


Infelizmente, em Portugal, ainda existe algum estigma em relação a autores independentes e edições de autor. Não é raro ouvir, como autora que optou por publicar sem vínculo a uma editora, recomendações bem-intencionadas, por parte de amigos e família, de editoras para onde enviar as minhas obras. Mesmo depois de já ter publicado o meu livro e ter vendas todos os meses.


Sabendo que é com a melhor das intenções, este gesto diz-me muito sobre a forma de pensar dos nossos leitores. Quase como se as obras só fossem válidas ou credíveis se estiverem associadas a uma editora. E isto não podia ser menos verdade.


Fotografia por Andreia Carvalho

Existem várias formas de publicar um livro, como edição de autor:

  • Tradicional, resultando num livro físico

  • Digital, através de um e-book

  • Com uma plataforma de auto-edição


Todos os dias, surgem novos formatos, plataformas e ferramentas que permitem um trabalho independente na edição do teu livro. Contudo, é recomendável que trabalhes a par com outros profissionais para teres um melhor produto final.


Mas, afinal, quais são as vantagens e desvantagens de publicar um livro, como autor independente?



Vantagens de publicar uma edição de autor


Maior poder de decisão


Esta é, para mim, a maior vantagem de publicar uma edição de autor. Em cada fase do processo de criação de um livro, o próprio autor é o principal responsável por todas as decisões, em vez da editora. Desde os textos, os materiais do livro, os parceiros com quem trabalha, o preço de venda, a estratégia de comunicação, os canais de distribuição, entre muitos outros.


Contudo, este poder de decisão pode ser uma faca de gumes, pois depende do conhecimento que o autor tem sobre o mercado editorial e a comunidade literária, ou até mesmo de artes gráficas e marketing.


Para quem gosta de meter mãos à obra, aprofundar os seus conhecimentos com base na experiência (na própria ou na dos outros), trocar ideias com profissionais de diferentes áreas que o possam ajudar, ter a liberdade de tomar as suas próprias decisões é uma verdadeira bênção.


Maior liberdade de criação


Muitas vezes, para tornar o livro mais atrativo comercialmente, as editoras fazem alterações nos textos ou sugerem uma abordagem diferente daquela que pensámos inicialmente. Enquanto isto pode ser algo positivo para quem valoriza a opinião dos gigantes do mercado editorial, pode ser igualmente frustrante quando queremos manter a autenticidade da nossa obra e da nossa própria expressão.


Como autora, valorizo muito a minha liberdade de criação. Contudo, é sempre recomendável dar a nossa obra a ler a outras pessoas, pois é fácil ficarmos viciados naquilo que nós próprios escrevemos e não nos apercebemos de gralhas ou incongruências.



Redução de custos e maior margem de lucro


Geralmente - e dependendo do acordado em contrato - as editoras oferecem ao autor uma comissão de 8%-12% sobre o preço de venda do livro. E embora, da perspetiva do autor, pareça um pouco injusto, a verdade é que isto deve-se ao facto de o processo de edição e distribuição ter vários intermediários (ex. editora, distribuidoras, livrarias).


Ao trabalhar de forma independente e escolhendo os parceiros certos, o autor elimina alguns intermediários e pode reduzir custos, o que faz aumentar a sua margem de lucro. Contudo, esta margem depende inteiramente da própria gestão dos custos, que deve ser feita com ponderação.



Maior controlo sobre a distribuição e canais de venda


Embora uma edição de autor dificilmente chegue às grandes livrarias como a Bertrand, FNAC e WOOK, existem outros canais de distribuição onde podemos colocar a nossa obra à venda.


Das pequenas livrarias independentes à grande Amazon, existem muitos locais onde podemos vender os nossos livros. Basta ter imaginação, resiliência e ter atividade aberta para poder passar fatura. Neste caso, o autor controla todo o seu inventário e pode negociar com os respetivos canais de venda as comissões e condições de venda.


Fotografia por Andreia Carvalho

Desvantagens de publicar uma edição de autor

Menos orientação e conhecimento especializado


Publicar uma edição de autor exige um certo conhecimento sobre o processo editorial para que o resultado seja um livro com uma produção profissional. Esta é talvez a maior vantagem de trabalhar com uma editora: poder contar com conhecimento especializado do mercado, em todas as fases.


É fácil - e frequente - sentirmo-nos perdidos e sem saber o que fazer, quais as melhores decisões a tomar ou prever os desafios que vamos enfrentar e as oportunidades que não podemos deixar escapar. Ao início, é fácil sentirmo-nos assoberbados, e até mesmo aterrorizados, com a quantidade de trabalho que uma edição de autor exige, a par da incerteza do seu retorno.


Mas, mantendo a vontade de avançar com uma publicação independente, o autor pode sempre contactar profissionais da área ou colegas que tenham passado pelo mesmo para uma troca de ideias e experiências que pode ser benéfica para todos.


Maior dificuldade de distribuição nas grandes livrarias

Este foi, talvez, o facto mais difícil de aceitar e até de compreender, para mim. Foi uma chapada que levei e uma porta fechada onde bati com o nariz, que me fez abrir os olhos para a realidade do mercado livreiro em Portugal.


Por ser um mercado muito fechado, as grandes livrarias dão prioridade a livros que venham dos seus próprios fornecedores que, por sua vez, estão ligados às editoras. Isto faz com que seja extremamente improvável distribuírem edições de autor. Contudo, nunca se sabe e não custa tentar!


Hoje em dia, contudo, há cada vez mais possibilidades de vender em locais onde talvez não imaginaríamos ver o nosso livro. Como, por exemplo, numa loja de brinquedos para crianças ou num posto de turismo. É só dar asas à imaginação e ser resiliente.



E agora? É respirar fundo e meter mãos à obra!


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